quarta-feira, agosto 30, 2006

Tempo que não tenho.

Tenho dormido mal. Não sei se é por causa do strees ou de outro fator emocional. Eram umas quatro horas da madrugada e eu fumava um cigarro na cozinha, quando alguém bateu na porta de serviço. Fiquei surpreso pelo horário mas abri a porta sem pensar muito. A Morte veio me buscar:
- Era pra você estar dormindo, facilitava meu trabalho. Agora vai ser a lenga lenga de sempre... - Disse aquele ser estranho. Sem cerimônias , a Morte abre a geladeira, dá uma olhada sem compromisso e continua a falar:
- Leite desnatado. Margarina com fibras. Frutas e legumes. Peito de frango, mas que merda de comida é essa?
- É comida saudável. Dietas de minha mulher . Mas não estou entendendo a sua visita. É o cigarro?? - A Morte fecha a geladeira e levanta os ombros:
- Não tem que entender nada. Só cumpro ordens. Vamos?
- Pra onde?
- Pro inferno. E não se demore que o trem que vai pra lá, parte as seis da manhã.
- Caralho(!) assim na lata?!?
- Você sabe o que fez durante sua vida. Ou pensou que tudo passaria em vão?? O "homem" lá de cima não vacila!
- Meu Deus! O que é isso? O que fiz pra ir pro inferno? Matei? Não mato nem barata!
- Quer uma lista dos erros?

Comecei a pensar no que fiz durante a vida. Sim, eu tinha cometido erros, mas todos cometem. O remorso foi me invadindo a alma. O medo também estava lá. Precisava ao menos me desculpar de algumas pessoas. Olhei a Morte lustrando uma maçã em seu manto negro e morde-la em seguida. Era bizarro, mas real. Tentei negociar minha rendição:
- Morte, posso me despedir de minha mulher?
- É nobre. Você vai contar de seus adultérios. Sei disso. Vá lá , você tem 5 minutos.
Entrei no quarto escuro e acendi a luz do abajur. Minha mulher acordou confusa:
- O que foi Marcos? Aconteceu algo? Que horas são?
- Calma Claudia. Vim me despedir. A Morte veio me buscar.- Minha mulher me olha atônita e percebe que alguém parou na porta do quarto. Era a dita cuja que inclina a cabeça num comprimento mudo. Eu continuo:
- Quero dizer que te amo muito, muito mesmo, mas cometi alguns erros. Eu te trai. Peguei sua amiga Suzana, sua prima Márcia - eu olho pra Morte e ela me cobra mais uma acusação. Finalmente falo da recente traição - e a mulher do vizinho do 801
.- Opa , perai! - Me interrompe a Morte. - Não foi a mulher do 802 que você comeu? - O estranho personagem saca um caderno do bolso e confere.
- Está no relatório e "eles" não erram sobre isso. - Minha mulher permanece muda e eu digo:
- Claro que comi a mulher do 802. Ela é minha mulher! Aqui é o apartamento 802!
- 802??!? Puta quel paril! Teu nome não é Armando? - Diz a Morte embaraçada. Eu já tenho um receio:
- Não. Meu nome é Marcos e aqui é o apartamento 802. Armando é o vizinho do 801. - Falo olhando pra minha mulher. A Morte está envergonhada:
- Vamos esquecer o que aconteceu aqui. O corredor do prédio estava escuro a acabei batendo na porta errada. Também, no escuro é foda! Mandem o zelador arrumar a minutaria! Bem , já vou indo. Ate qualquer hora! - Disse saindo do quarto e seguindo pra cozinha. Senta-se na mesa e olha o relógio de pulso. Espera alguns minutos e volta ao quarto. Me vê disparando 3 tiros no peito de Claudia e sair decidido do apartamento com arma em punho. A Morte senta-se na cama, ao lado de minha mulher e diz:
- Lamento, Claudia, mas foi a única forma que encontrei para leva-la. Essa sua vida saudável, lhe levaria ate os 100 anos. - Mais quatro tiros são ouvidos no edifício. A Morte levanta o dedo como se chamando atenção - Pelos disparos, Armando também ja deve estar pronto. Vamos, que o trem sai as seis. by Velho.

Na noite seguinte, eu tive uma perfeita noite de sono.E também garanti uma futura viajem de trem. Sei que parte as seis da manhã. Só não sei quando será o dia.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Vão lendo isso ate eu arrumar tempo.

O traficante parecia apreensivo , apesar de sua profissão indigna.
- Se liga com esse bagulho! Toma em casa e se tranca. Não dá bobeira! - Ele dizia antes de soltar o envelope com as duas cápsulas.
- Ok! - Respondi afobado.
- É serio, cara! Vacilou já era! - frisou finalmente soltando o blister com as duas cápsulas de Orkut.

Eu estava tão apressado, que resolvi ir voando pra casa. Voar hoje em dia é meio problemático. Voar nem é o problema, foda é pousar. Tem tanto fio que a gente se enrosca direto. O pior é o fio de telefone, que é cinza e às vezes nem da pra enxergar. Ainda bem que aprendi a voar invisível, assim ninguém me zoa quando caio por causa desses fios. Ultimamente só tenho pousado em telhado mesmo. É mais seguro. Pouso e me transformo num inocente gato que é um bicho que sabe andar no telhado na boa.Uma vez eu desci do telhado e no chão , o cachorro do vizinho veio me atacar cheio de fúria. Corri muito pelo muro, coração disparado, quase me fodo. Pra não correr mais esse risco quando estou no chão, viro um cachorro. Essas coisa são mais complicadas que parecem. Voar , ficar invisível, me transformar num gato, depois um cachorro. É cansativo. Pior é quanto venta e tenho que voar de olhos serrados por causa da areia da obra. Tinha acabado de virar cachorro quando Roberto Carlos chegava no portão e nem acreditei que era ele. Comecei a sorrir latindo. Roberto parece não gostar de cães:
- Passa, passa pra lá , cachorro! Sai daí!
Fiquei muito puto. Como esse corno não pode gostar de cães! Pensei como um crocodilo e sentei. Esperei Roberto pegar confiança pra entrar. Ate abanei o rabo e abaixei as orelhas. Quando ele finalmente entrou, eu mordi a perna dele. Doeu muito, pois era uma perna de ferro, quase quebrei os dentes. Roberto me xingou de filha da puta e foi ver os danos na perna mecânica. Quando ele levantou a barra de sua calça azul celeste , notei que a perna estava toda enferrujada. Fudeu-se, peguei tétano. Na forma de um cachorro, eu gani chorando. Minha tia ao me ver assim , resolveu me levar a uma aldeia indígena, pra fazer o tratamento contra mordida de sapo. Na aldeia , Padre Cícero me recebe com aquela cara de padre:
- Que aconteceu com esse cão? É lepra? - São Francisco me carrega nos braços e responde:
- Se o Senhor não é santo, porque age e atende como um? Não é lepra, é tétano!
- Tétano?? Bela merda! É só tomar nove injeções na barriga que isso se resolve. - Eu não entendi e entrei na conversa:
- Má como é burro esse padre!! Isso é pra curar raiva! O que tenho é tétano romantico! - São Francisco me larga no chão espantado:
- Cachorro que fala??? Segue reto satanás!! Isso é um capeta!! - Padre Cícero cai morto por causa da mordida do sapo. Eu gritei:
- Santo não resolve nada! Quero falar é com Deus mesmo! - O céu se abre e Jesus desce numa nuvem. Quatro anjos enormes, de óculos escuros, faziam sua segurança.
- Que queres de Mim, Pedro. Porque estas na forma de um cão??
- Por causa dos cachorros que vem me morder quando estou gato. - Jesus alisa o bigode pensativo:
- Entendo. Mas antes do sol se por , você me negara três vezes. Assim será.
Os guardas de Pilatos nos cercam. Um deles me pergunta apontando para Jesus:
- Cão, você conhece esse homem?
- Conheço.
- Tem certeza disso?
- Tenho.
- Por sua conta e risco?
- Pode perguntar.
- Valendo MEIO MILHÃO DE REAIS: Acionem o relógio na tela quando eu terminar de fazer a pergunta. Serão trinta segundos para a resposta. Lá vai! Pronto?
- Pode perguntar Silvio.
- Valendo MEIO MILHÃO DE REAIS!!
- AIRTON SENNA DA SILVA DO BRASIL!!! É TRI CAMPEÃO DE FORMULA UM!!

sábado, agosto 26, 2006

Bicho, eu prefiro ter um filho VIADO do que um filho que comenta em blog!




Dica do Fabio

quinta-feira, agosto 24, 2006

Prólogo - Loose Change.

Com os aviões já no ar, os pilotos recebem simultaneamente via radio as coordenadas e a indicação dos alvos a serem destruídos:
- O alvo está na rota 154 barra 11 , target 58 do GPS, no visual a Praça dos Tres poderes e suas sedes.
O piloto do avião líder, confirma com os outros pilotos:
- Ok! Vocês ouviram, vamos pra lá!
Alguns minutos depois o piloto do avião 3 comenta no radio aberto:
- Porra, sei lá,isso vai dar um trampo danado...
- Eu também acho. - Responde o piloto 2
- Podicrê! Será que pega alguma coisa se a gente se largar daqui? - Insinua o líder quando finalmente o piloto da quarta aeronave fala:
- Simbora! Vou pra casa, a novela começa daqui a pouco. Falôai galera!
- Demoro! Só vou dar uma zuada com o jato, dar uns loopings e tal e vazar. Fui! - Avisa o lider
E cada um dos quatro aviões toma um destino diferente sem soltar um único disparo

Mas um momento, se os aviões não bombardearam nada, como Jose viu e ouviu as explosões? Vamos voltar a fita e confirmar isso. zzzzzZZZZ.....


...saznic sa erpmes es-marbos ,ogof oD –
:ota oirpórp o odnavresbo alaf e otnac ed asem ad eromrám ed opmat on oturahc od atnop a etab , adagart everb amu ád ,oruoc ed anortlop an es-atneS .otercsid osirros mu moc edneca o e oãisaco arap odaraperp oturahc o etnemasodadiuc apacneseD .uéc on odnamrof es argen açamuf ed serrot sagnol sa e etnoziroh on ogof od oãralc o êv esoJ ,otelpmoc rop satreba sanaimrep sa moc arogA .aserprus mes áj seõsolpxe savon e seneris sariemirp sa evuO .setniuges sad odíur o moc odnamutsoca es iav E .oãsolpxe ad otcapmi o moc atsussa es e romert o etnes esoJ . uéc o odnazurc seõiva so evuo ele ,sioped sotunim snuglA
.odrob a átse elE .sotunim etniv a zed ed someT – rotucolretni o odnasiva agil e ótelap od ralulec ortuo agep ,ohlerapa o ahcef esoJ – .lanis o rad uoV !omitÓ –
.oidérp on uortne elE .odamrifnoC –
?olA –
:otnorp ed edneta ele e acot ralulec O.oliüqnart ecerap odut e adahcef anaisrep alep adipár adaipse amU .euqsíu ed esod amu ed es-rivres ed sioped sasoisna soãm sa agerfse esoJ ,oãrasac odaçardivne e osouxul oN


Bem, já que é o PT que esta no governo, é evidente que Jose foi alvo de uma pegadinha. Nada é o que parece ser.
- Mas eu vi as explosões, ate trremeuu a casa! - Questiona Jose embaraçado no casarão.
Sim , tremeram porque foram previamente instalados vibradores de concreto no assoalho.
Mas quem vai explicar melhor tudo isso, é Morpheus que acompanhara Jose, em nosso documentário Desvendado o Código do Prólogo.
- Boa noite! Meu nome é Morpheus e junto com Jose, revelaremos o que é real nessa viajem alucinante. - Jose limpa o suor da testa com um lenço e pergunta abismado:
- Ate agora não entendi pourra nenhuma, os aviões não explodiram Brasíiilia?
Morpheus com ambos braços pra trás, responde com aquela cara de besta:
- Exatamente, e falando nisso nem existiam os aviões, as cenas que foram mostradas foram feitas em um fliperama aqui de BSB, num desses simuladores de F22. Já os diálogos foram feitos pelos estúdios Herbert Richard.
- Pra PULTA QUEU PARIIIL vocês, brincadeiira sem graça, SÔ! - Dispara Jose enquanto enche o copo de uisque. - O negão alerta:
- E não beba muito desse uísque que ele é falso.
- GUUUUUSP! O charuto então também não era cubano??!?
- Baiano. E como foi citado pelo narrador, aqui nada é o que parece ser.
- Então...o Lula está vivo?
- Sim, são e salvo no Palácio.
- Não é possível, eu vi aquela pourra toda pegando fogo, sirenes por toda cidade...
Morpheus dirige-se a janela e explica:
- Essas persianas na verdade cobrem uma tela de alta definição, não são janelas reais.
Se eu ligar a video você assistirá cenas do ataque de 11 de setembro devidamente editadas por computadores. - aponta o controle e liga play - Veja com seus próprios olhos Zé :

"Agora com as permianas abertas por completo, Jose vê o clarão do fogo no horizonte e as longas torres de fumaça negra se formando no céu."

- Eu tenho a nítida impressão que já vi isso...- Diz Jose meio confuso.
- Chama-se Dejavu, é uma falha da Matrix. Você já viu tudo isso e vai rever muita coisa daqui pra frente. Agora é hora de você escolher - Morpheus abre a mão e mostra uma única pílula vermelha a Jose.
- Mas só tem uma escolha?
- Só.
Jose pega a pílula e a observa nas pontas dos dedos:
- Tem uma estrelinha desenhada aqui, ta bem escondida mas tem.
- Sim, tem uma estrela de difícil visualizacao. Mas você esta esperando o que?
- Porra, isso vai ser difícil de engolir, tem que ser a seco?
- A seco - Responde friamente o crioulo, enquanto vê Jose engolir o comprimido:
- Glup! Arg! Coisa ruim, sô! To mei zonzo já...o efeito passa rápido, Morpheus?
- Você ainda esta sob os efeitos da pílula que tomou em 2002. Como são iguais, essa também dura quatro anos. Boa noite.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Prólogo II.

Incomodava a presença silenciosa do Coronel Antunes postado atrás do capitão que orientava os quatro pilotos na sala de comando da Base Aérea:
- As coordenadas vocês receberão via radio. Não se trata de uma simulação, a operação é real. O ataque será em área civil e dentro de nosso território. Confio o sucesso da missão em suas mãos, vocês foram treinados exaustivamente para isso.
Os pilotos ouvem as recomendações com preocupação e perguntas vinham à mente. Porque diabos o Coronel estaria ali? E afinal quais eram os alvos? Área civil, nosso território? Ataque real? Tudo era estranho e desconfortável. Por fim, o capitão consulta o relógio e despede-se:
- Desejo boa sorte, logo vocês vão partir. Vale lembrar que o não comprimento de ordens superiores os levará a responder pelos atos. Devo deixa-los com o Coronel que assume comando daqui. Ate logo.

Coronel Antunes inclina a cabeça em comprimento ao capitão que se retira e volta-se aos pilotos, pousando seu quepe sobre a mesa:
- Senhores, a delicadeza dessa operação envolve o total comprometimento de suas partes. Vocês foram informados individualmente que tem minha ordem direta de abater em vôo, aquele que obstruir ou não efetivar o ataque aos alvos. O Brasil conta com seus soldados e vocês estão aqui para proteger nossa nação de qualquer distúrbio que possa comprometer nossa soberania. Dentro de alguns minutos o Ministério do Exercito declarará o alerta de segurança nacional e é imprescindível o sucesso dessa missão na efetivação desse alerta.

terça-feira, agosto 22, 2006

Presizo de corretores hortograficos e gramaticais.

E nao é que horto tem a ver com grama??
Seguinte, tô com as estorias do Buzina Encardida e Madureira (Sim, ele mudou de nome!) aqui pra passar pra voces. Sao sete contos sem edicao e ricamente encardenadas em Word. Quem quiser, manda o email.

E o que eu ganho com isso? Bem, esses textos estão sem correção e gostaria que voces me apontassem os erros pra eu deixar esse bloco ok.

E aí, tem jeito?? No MSN therealvelho@hotmail.com

segunda-feira, agosto 21, 2006

Prólogo.

No luxuoso e envidraçado casarão, Jose esfrega ansiosamente as mãos depois de servir-se de uma boa dose de uísque. Uma espiada rápida pela persiana fechada e tudo parece tranqüilo.O celular toca e ele atende de pronto:
- Alo?
- Confirmado. Ele entrou no prédio.
- Ótimo! Vou dar o sinal. – Responde com forte sotaque interiorano de São Paulo. Jose fecha o aparelho, pega outro celular do paletó e liga avisando o interlocutor – Temos de dez a vinte minutos, ele já está dentro. Podem enviar os caças.

Dado o recado e alguns momentos depois, quatro aviões cruzam o céu sobre o casarão . Jose sente o tremor e se assusta com o impacto da explosão distante. E vai se acostumando com o ruído das seguintes. Ouve as primeiras sirenes e os jatos cortarem o ar já sem surpresa. Agora com as persianas abertas por completo, Jose vê o clarão do fogo e as longas colunas de fumaça negra se formando no horizonte . Desencapa cuidadosamente o charuto preparado para ocasião e o acende com um sorriso discreto. Senta-se na poltrona de couro, dá uma breve tragada , bate a ponta do charuto no tampo de mármore da mesa de canto e fala observando o próprio ato:
- Do fogo sobram-se sempre as cinzas... somente cinzas.

quinta-feira, agosto 17, 2006

terça-feira, agosto 15, 2006

D.C. 33,99 - O ano que não existiu.


Jose afia uma faca numa pedra canoa e puxa assunto com Maria que prende roupas no varal:
- Ando com uma pulga atrás da orelha, mulher. -Maria com um prendedor na boca, ajeita um lençol e responde a Jose coçando a cabeça:
- Pulgas? O que me aflige são os piolhos e as lêndeas.
- Sabe o que é Maria, acho que o Jesus anda meio...assim...meio...estranho, sabe?
- Estranho como?
Jose testa o fio da faca no braço e retruca:
- Ah Maria, você já viu o cabelo dele? Longo, macio, sedoso, todo pentiadinho...
- É a vaidade dos jovens, Jose. Quando ele ficar careca como você , não vai mais ligar pra cabelo.
Surpreso pelo comentário sobre sua calvície, Jose ajeita os escassos fios da lateral da cabeça:
- Estou muito careca?? Mas não é disso que falo, é que ele tem os cabelos e os cuida como uma mulher.
- Não fale bobagens, Jose, ele cuida da barba da mesma maneira. - Fala Maria carregando a cesta de roupas vazia. Jose faz rodeios:
- E você não acha isso esquisito? Um homem de trinta e poucos anos, não tem namorada, magrinho sem barriga nenhuma, todo vaidoso com o cabelo se é que não os pinta de castanho claro...
- Será? Agora que você falou...
- Pior. Ele só anda com esse que chamam de Velho! - Maria junta as mãos e cruza os dedos:
- Nosso filho é gay???
- Opa, pérala! "Nosso" uma virgula, eu só criei! Ele mesmo diz que é filho de Deus, não tenho nada com isso não! - diz Jose rispidamente.
A conversa é interrompida quando eu e Jesus chegamos na casa. Jê esta com pressa, pois estávamos atrasados pra sagrada sexta feira na taberna:
- Oi pai, oi mãe! - Jose e Maria nos olham desconfiados. Maria questiona:
- Jesus, você não vai jantar?
- Não mãe, já vou sair, só vim em casa lavar os cabelos. - Jose dispara:
- Não falei Maria??
Prevendo um conflito familiar e conhecedor das cajadadas de Maria, falei a Jesus me retirando:
- Então Jê, to indo lá.
- Ok, a gente se encontra na taberna!

Eu já estava no bar a uma meia hora, quando Jesus entra arrasado no lugar. Ele senta-se ao meu lado, enquanto eu peço mais um copo a Maria Madalena:
- Que cara é essa Jê?
- Putz, tu nem sabe...
- Que foi?
- Meu pai e minha mãe acham que nos somos viados. - Eu estava com um copo na boca e me engasgo:
- Grusp! COMO??!? Perdão, acho que não entendi!
- É isso mesmo, Velho. Eles pensam que somos homossexuais!
- Ah Jê, que porra é essa?? Eu viado?? Tá louco??
- E pensam isso também de mim. Que lastima...
- Pensar de ti é ate normal, com trinta e poucos anos, não tem namorada, magrinho sem barriga nenhuma, todo vaidoso com o cabelo, se é que não os pinta de castanho claro...- afastei-me um pouco de Jesus e falei desconfiado - Não tenho nada contra isso não, mas tu morde fronha, Jê?

Foi numa sexta feira assim, que Jesus passou a noite com Maria Madalena e eu com algumas meninas da taberna . Graças a esse fato, ganharam rios de dinheiro com filmes e livros.
E meu nome nem aparece nos créditos.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Palhares.

O americano James Sellers conheceu o Brasil em 1978. Missionário Mórmon, encantou-se com o país e o fez de lar. Aqui James casou-se com uma brasileira e fundou uma igreja evangélica, desvirtuando-se da religião que praticava anteriormente. Sua igreja tornou-se uma poderosa instituição, adquirindo bens por todo o Brasil. E quis o destino que aqui James também morresse precocemente aos 54 anos de um ataque cardíaco.
Passado o choque da morte repentina, pastores e familiares optaram em embalsamar o corpo do americano e posta-lo em homenagem eterna no palco da igreja matriz, pra desgosto da viúva que não concordava mas foi convencida pela maioria. Após alguma pesquisa, a difícil tarefa ficou a cargo de Firmino Palhares, o jovem taxidermista do Zôo de São Paulo e responsável pelo acervo do Museu de Pesca, em Santos, cidade onde Firmino também mantinha um ateliê e recebe o inusitado convite. Thomas agora é o responsável pela igreja e está acompanhado pela viúva de James, a senhora Marlene. Thomas explica a situação ao taxidermista que coça o cavanhaque ralo:
- Embalsamar o homem? Deve dar, já empalhei golfinho, não deve ser muito diferente.
- Contamos com sua colaboração e discrição, senhor Palhares. - Recomenda Thomas com a mão apoiada sobre o caixão de James. Firmino comenta:
- O caso é que isso é proibido. Vai custar uma bolada...
- Dinheiro não é problema. Faça o trabalho da melhor maneira possível que não nos surpreenderemos com o valor. - Garante Thomas. Firmino prende o cabelo num rabo de cavalo e pergunta curioso olhando pro caixão:
- O corpo ta muito fudido? Morreu de que, foi porrada de carro?
Thomas abraça a viúva emocionado e abre o caixão:
- O corpo está perfeito, ele faleceu há pouco mais de dois dias, foi um ataque fulminante...
Um forte cheiro de decomposição se espalha pelo ateliê. Firmino apressa-se em fechar o caixão rapidamente:
- Rapaz, põe a tampa de volta E ABRE essa janela aí de atrás! Esse cara tá completamente estragado! - Marlene soluça baixinho e tem um lenço a boca:
- Pobre James...
- Não encana não, tia! Ele não sente o cheiro, ta morto mesmo. - Sorri o taxidermista. Thomas espantado, comenta se abanando:
- E olha que alugamos um caminhão frigorífico da Sadia para traze-lo ate aqui.

Palhares trabalhou durante semanas no corpo do americano e pede orientações finais à viúva por telefone:
- Então tia, tá quase pronto, agora tem que decidir a posição dele e alguns detalhes.
- Posição?
- É, tipo, ele vai ficar sentado, de pé...
- Ah sim, claro! De pé.
- Ok, de pé. E a pose?
- Pose?
- É porra, vai ficar com os braços pra cima, abertos, sei lá.
- Braços junto ao corpo.
- Cruzados?
- Não, abaixados mesmo.
- Beleza. Mas a senhora não prefere algo mais estaile e tal? Tipo o Freddy Mercury no show?
- Não, quero ele reto.
- Agora é mais delicado, tia: Com pau ou sem pau?
- Credo! Isso é tão desnecessário...
- Desnecessário porque não é na senhora. Um homem sem piroca não é nada. Inclusive posso ate dar um grau no pau dele, ele encolheu muito. Ou já era pequeno assim mesmo??
- (Ignorando o ultimo comentário) Digo desnecessário porque ele vai estar vestido.
- Vestido?!? Eu não sabia disso! Porra, e eu dando maior capricho na bunda dele. Outra coisa, o cabelo não deu pra aproveitar, coloca uma peruca?
- (Irritada) OLHE RAPAZ, você faça o que entender, essa idéia maluca foi do Thomas, não quero saber mais disso! Trate de terminar seu trabalho e enviar a fatura!
- Ok! Não precisa surtar, tia!

Terminado o serviço, Firmino recebe Thomas que olha a fatura:
- Ficou caro , né?
- Por causa do cheiro. Gastei erva pra caralho.
- Erva?
- É cara, maconha. - Thomas arregala os olhos enquanto olha para o lençol que cobre o corpo embalsamado:
- Você fumou maconha pra não sentir o cheiro?? Empalhou James drogado?!?
- Claro que não! Só fumo depois. A maconha eu usei nele, pra dar volume e tirar o fedor. - Fala Firmino levantando o lençol - Mas olha só, ficou dez!
Boquiaberto, Thomas observa a bizarra figura. James tem uma peruca rastafari , uma camisa vermelha do Che Guevara, calças jeans surradas e chinelos tipo havaianas. Firmino limpa o nariz do americano empalhado com uma flanela:
- O olho eu tive que usar preto, não tinha azul. Dei uma bronzeada nele também, o cara tava muito branco. E tatuei uma folha da canabis no peito - Apavorado, Thomas destaca uma folha de cheque, o preenche e passa ao taxidermista:
- Mudamos de idéia, vamos colocar uma foto de James no palco da igreja. Seu serviço está pago. - Firmino confere o cheque e o guarda:
- O senhor que sabe. - Thomas se retira em passos firmes:
- Obrigado e adeus.
- Ei! E o gringo? Não vai levar ele não?
- Não. Faça o que quiser com essa aberração - Responde Thomas dando uma ultima olhada no trabalho de Firnimo - o destrua ou taque fogo.
Firmino vê o homem saindo e comenta com o corpo do americano:
- Ok. Essa gente é maluca mesmo, né não James? Mas ele me deu ate uma idéia...
Naquela noite Firmino fumou o indicador e o polegar de James. E pensou falando alto:
- Se um dia eu trombar com a Luana Piovani, vou fazer uma presença com o caralho do falecido.

segunda-feira, agosto 07, 2006

ATESTADO

Nao tenho apego nenhum ao PT (votei no bebado) mas ouvir o Xuxu / Dragula afirmarem que o caso da seguranca de SP e que os ataques do PCC é culpa da falta de controle das divisas de Paraguay e adjacencias doeu pra CARALHO! Vao tomar nos seus cus e façam algo, bando de vagabundos e faladores mentirosos! Voces nao tem um saco aí no meio das pernas nao??
Meu, jogar a bronca de sampa pra a fronteira foi da maior caruda que eu ja vi estampanda no fucinho de um sujeito que se diz HOMEM.

Coitados de meus filhos , netos e do pai e avô deles. E de voces que leem. Foi mal, mas ta foda de ver isso.
Lá no fim.

Hoje tenho um post pro vocatus e um tutorial pro abobra. Faça o favor de ir no fim da pagina, la embaixo e votar no pai que ele fica todo feliz. Já volto.


sexta-feira, agosto 04, 2006

Texto perdido na HD que nunca deveria ser publicado.

Meu novo chefe paraíba anda perturbando antigos dogmas aqui na câmara. Ha mais de dez anos eu chego aqui no trampo, tomo um cafezinho, acendo um cigarro, pego A Tribuna e vou dar minha cagada matinal. Isso leva cerca de 25 minutos. E há mais ou menos uns dois meses, o paraíba que antes de falar algo, emite um ruído estranho, veio me apertar no topo de sua altura hierárquica de chefe:
- Hurg, você demora muito no banheiro.
- Pois é. - Falei na insignificância de meu cargo - Prisão de ventre, sabe...
- Wurr, e porque voce não faz em casa? Você perde meia hora de tempo produtivo lá dentro do banheiro.
Imediatamente me recordei do caso do canadense George Austin, o mártir dos funcionários públicos que em 1984 foi proibido de cagar remunerado e numa fantástica e dolorosa greve de fazer coco, convocou toda população que comovida com os maus tratos do servidor, exigiu um plebiscito que refez toda a política do funcionalismo publico mundial, estabelecendo assim, os “Sagrados trinta minutos no banheiro do trabalho”. E antes de abrir o bico e verborrarizar em direcao ao carrasco que oprimia minhas necessidades fisiológicas, lembrei- me também que sou cargo confiança e não possuo nenhuma garantia de emprego. E com o peito cheio de ar, respondi ao atarracado:
- Você sugere que eu tenha que acordar uma ou duas horas mais cedo pra cagar na minha casa?? É isso mesmo que você esta me propondo??
- Huuf, exatamente.
- Ok, vou tentar.
Hoje em dia eu não mais cago no trampo, emprego ta difícil. Mas garanto que meu chefe consome 90% de meus peidos profissionais. E ele não pode reclamar:
- Uffug! Que cheiro! Você veio de sua sala pra peidar aqui?
- Não, eu vim lhe entregar a primeira folha da planilha do relatório de despesas. Ate o fim do dia , lhe trago as outras oito ou nove que faltam. E sem perder tempo produtivo.

segunda-feira, julho 31, 2006

Ouça e ignore o video, hoje tá muito frio pra escrever .
UPDT: Esse link foi deletado por conteudo altamente EMO segundo o Fabio. Ai meus dedos...

quinta-feira, julho 20, 2006

A festa do copo vermelho até que foi legal...

Mas antes da roda gigante do terror, houve a viagem. Entenda que eu havia prometido a meu filho um passeio ate a Disney nessas férias e não iria decepciona-lo:
- Lucas, nós vamos a Disney, mas temos que fazer uma espécie de vestibular primeiro. - O menino era a desconfiança em pessoa:
- Como assim "vestibular", pai?
- É muito simples. Para chegar ao parque americano temos que pegar avião e tal. Logo, vamos simular essa viagem e o destino. Aqui mesmo em São Paulo temos um parque...
- AH NÃO PAI! Hopi Hari NÃO! Você prometeu a Disney!!
- Não, não vamos pro Hopi Hari, fica muito longe. Vamos no Playcenter mesmo... e de excursão!! Você vai se sentir num avião andando no ônibus da Breda!
Confesso que levei algumas bicudas na canela, mas garanto que minha atitude visava garantir a integridade de meu filho. Viagem longa tem fuso horário, a gente fica meio fora de órbita, sabe com é. Não quero que meu moleque passe por isso.
Liguei para meu agente de viagens e o consultei:
- Hilário, é o Velho. Você ainda faz excursão?
- Opa Velho, claro! Nesse fim de semana vamos pra Aparecida do Norte. Tem lugar no ônibus ainda...
- Não, dessa vez quero algo mais sofisticado. Vou levar meu filho pro Playcenter.
- Ah meu, Playcenter eu não faço mais não, tudo muito caro lá e eles tão embaçando com comida que a gente leva. Da ultima vez que eu fui, aprenderam a garrafa térmica de sopa de minha cliente. Mas tenho uma conhecida de confiança que faz, perai... anota aí: Valdineia Tour, nove sete sete dois...

Marquei a viagem e senti firmeza. A saída foi marcada para as nove da manhã em frente a Prodesan e aqui em Santos excursão de tradição ou sai dali ou da lateral do Extra. E às nove horas, eu, CPU , Lucas e mochila estávamos no locam combinado. E pontualmente as 10:15hs o micro ônibus escolar encostou, transbordando alegria e maloqueiro. O motorista abre a porta e me pergunta:
- Excursão da Valdinéia? Sobe logo que já "tamô" atrasado!

terça-feira, julho 18, 2006

E enfim o encontro com Homero.



Negociações a fim de preservar meu anonimato. Não iria me expor e correr o risco de perder respeito profissional em função de textos cretinos que escrevo na Net. Nem que por hora, isso pareceria render alguns trocados ou mesmo encher minha caixa de ego. E no telefone:
- Homero, estou subindo amanhã. Quero um lugar que seja aberto, publico.
- Ótimo. Podemos marcar em algum café.
- Entenda Homero, eu só bebo café ate as dez da manhã. Pelos meus cálculos, devo estar em São Paulo por volta das onze horas. Um café é inviável nesse horário.
- Sem problema, vamos a um restaurante.
- Você não acha que seria muito cedo para um almoço?
- Olha, estou dando sugestões. Um bar, pode ser um bar?
- Você insinua que sou um bêbado?
- Claro que não. Que lugar você quer afinal?
- Um lugar aberto, acho que fui claro no inicio dessa conversa. Mas se não existem lugares assim em sampa, podemos deixar isso de lado...
- Não, não, temos lugares abertos. O parque do Ibirapuera é uma opção.
- Nunca fui nesse parque. O que tem lá?

Ficou decido que o encontro seria no Playcenter. Mas exatamente naquela roda gigante que nos fornece uma visão perfeita da magnífica marginal Tiete. Assim eu mataria dois coelhos com uma só cajadada, tudo pra facilitar nosso encontro: andaria de novo no Looping enquanto Homero procurava um monitor, um teclado , um mouse e uma fonte (exigi que fosse estabilizada) para acessar minha CPU e avaliar alguns textos inéditos. O que tinha tudo pra dar certo, começou errado. Descobri que não tem mais o Looping no Playcenter e que a roda gigante era bem mais alta do que imaginei. Dois garotos que estavam a bordo de nossa cesta, insistiam em rodar o aparato. E eu estava preocupado com a segurança dos meninos ao verificar a altura em que me encontrava:
- Meu deus do ceu, como isso é alto...opa! Moleque não roda essa merda...CARALHO, PARÁ DE BALANÇAR O BAGULHO, MOLEQUE!!
- Ah tio! É mó legal!
- Olha seu filho da puta, se ficar balançando esse caralho de cesta EU VOU TE ENFIAR A MÃO NA ORELHA!!
- Vai bater na gente como se esta com as mãos agarradas no ferro do parapeito?? O tiozinho ta se cagando de medo, auhhauhauhuauhauhaauhauh!
Suando frio e sem fazer o mínimo movimento, conclui soltando fogo pelas ventas, encarando os dois pequenos delinqüentes:
- Mas uma hora essa porra tem que parar. Ou eu me jogo daqui e pego os dois lá embaixo...

sexta-feira, julho 07, 2006

A praia de Domingo.




Fazia tempo que não ia na praia de Santos ao Domingo. Praia é de um masoquismo sem tamanho. Começa com a duvida se o tempo vai ficar bom o dia inteiro. Pode ser que no meio do dia caia uma chuva torrencial e você humilhado , corra para algum abrigo, sem a mínima classe carregando toalhas , sacolas e cadeiras pela faixa de areia. Bom, se não ocorrer isso, pode se preparar. A principio Deus criou o homem e o homem ia pra praia de sunga, óculos escuros e 20 reais na cintura. Levava 15 minutos e pronto, ele já estava na praia regulando as bundinhas na areia. E Deus percebeu que o homem precisava de uma mulher pra levar na praia. E Deus criou a namorada e Viu que isso era meio complicado , mas de sacanagem deixou o homem ir na praia com a namorada.
O homem não gostou muito da idéia mas no fim concordou.

Mesmo tendo passado o sábado inteiro com a namorada, agora o homem tinha que levar a namorada a praia Domingo de manhã (11:00 no maximo, hein!) . Agora ele levava 10 minutos pra sair de casa e 1 hora aguardando a namorada ficar pronta. Puto, o homem permanecia sorrindo até a hora que ele depara com o minúsculo bikini da namorada. Mas o homem releva . Cadeira de praia, toalha, bolsa com hidratante, protetor, óculos, dinheiro, arquinho, sainha de banho, creme nívea , ele também releva. La pro meio dia , sol do inferno, o homem chega na praia com a namorada. Passa a tarde tomando conta dos marmanjos que foram sozinhos na praia e ficam regulando a bundinha de sua namorada. Saco!!

O tempo passa e o homem se casa com a namorada. Nesse período o homem já sabe a roubada que é levar mulher pra praia e abandona o costume, só retornando com o nascimento dos filhos. Agora levar os filhos a praia é a obrigação de um bom pai. A tralha aumenta muito e alem das tranqueiras da mulher o homem tem que carregar baldinhos, carrinhos, água fresca e o maldito guarda sol. O horário também mudou, agora é bem cedo, porque sol pesado faz mal pras crianças( Nove horas no Maximo, hein!)

Quando Deus fez a praia, não contava que todos gostariam de ir lá, e muito menos que o homem criaria o automóvel. Mas o homem após criar o automóvel achou melhor ir de carro a praia. E foi. Com tudo no carro ele foi arranjar lugar pra estacionar bem pertinho da praia e esqueceu de avisar o prefeito que tinha que haver lugar bem pertinho da praia. Não tem.
O homem, esse impiedoso, procurou lugares não tão pertinhos da praia , embaixo de uma arvore pelo menos. Não tem. Uma hora depois de sair de casa , o homem estaciona o carro num estacionamento descoberto a 5 quadras da praia. R$ 15,00.

Homem, mulher e filhos chegam a praia. Brancos como a neve, os filhos aos cuidados da mãe, são besuntados com protetor solar. O homem, esse ser macho, não passa porra nenhuma no corpo e vai descalço. Sofre horrores com o chão quente, mas se mantem firme, afinal ele é homem.

Cont.

As crianças querem ir direto pra água e a mulher não entra “nessa água suja “. Sobra pra quem? Esse corajoso homem entra na água e é obrigado a se submeter a areia que entrara no seu rego e adjacências. Mas uma vez humilhado , o homem é obrigado a ir mais no fundo do mar pra tirar essa areia incomoda. Decidido , o homem sai da água e vai em busca de uma cerveja. O ambulante não destingue o turista do nativo, ( ambos estão fora de forma e brancos) e você paga 2 paus numa latinha de Schin quente. Mais animado o homem parte pra uma caiprinha e tenta relaxar. Já não se preucupa muito com a barriga nem muito menos com a areia que gruda no seu suor.

A boa.
Já meio chumbado, o homem começa a regular as bundinhas transientes de sua mira. A essa altura ele adquire técnicas especias de regular tudo sem ser notado pela mulher. Olhar perdido no horizonte, ele com seus óculos escuros é capaz de olhar tudo sem mexer a cabeça. Uma maravilha, porem ele percebe que a quantidade de gente e inversamente proporcional a qualidade de beldades. Os canhões e dragões fazem dessa praia um campo de batalha surreal. As celulites e estrias tem seu momento de gloria e agora desmascaram aquela vizinha que você julgava um tesão. Mas a barriga , tranqüila e grande, também faz cair por terra a sua fama de enxuto. Ventou, e agora a areia esta na sua caipirinha, no seu corpo e nos seus olhos. Hora de partir, mas você desatento, regula sem cuidado uma bunda espetacular que desfila em sua frente e pow! A sua mulher viu a cena e te deu um tapao nas costas. Lembre-se que você não passou protetor solar e esta tomando sol a três horas. Doeu!

Recolhe tudo e por boas maneiras limpa a sujeira do local. Vai com a família pro chuveirinho e aguarda a vez na fila. Tudo lavado pela metade, anda 5 quadras com os filhos reclamando de fome. Paga a estacionamento e vê uma batidinha na porta do carro. Na duvida de quem deu a porrada, o homem ,esse justo diz: Foda-se. Carro cheio de gente e areia, segue o caminho de casa. A mulher, essa incompreensível, esta de cara fechada e diz que não vai fazer comida naquela hora. Mais uma vez , o homem para na padaria e compra um frango assado. Chega em casa, come aquele frango sem gosto de nada , abre a geladeira e não vê nem uma latinha de cerveja. Aguarda todos tomarem banho sem poder se sentar no sofá, porque “esta cheio de areia” e depois de 1 hora, toma uma ducha de 10 minutos. Ao sair do banho se vê no espelho, vermelho como camarão e todo ardido. Ensaia uma soneca no sofá, quando a mulher decreta: “As oito nos vamos no Shopping!” Depois disso tudo, o homem , esse filadaputa ( segundo a mulher) , diz que não vai em Shopping porra nenhuma. E não vai mesmo, mas libera o cartão de credito.

terça-feira, julho 04, 2006

Jesus Cristo e o Arco do Triunfo Na Ultima Cruzada.

Atirar pedras nos pombos é um esporte muito popular em Jerusalém. Jesus não gosta de atirar pedras nos pombos, alega que pode acertar um espírito santo por engano, essas coisas esquisitas que ele sempre diz. Eu estava empenhado em acertar uma pomba preta que estava mancando:
- Putz! Quase acertei! Se liga Jesus, o que você acha desse referendo que o Pilatos tá fazendo?
- Do comercio de adagas?
- É. - jogo uma pedra com força - Nossa (!), essa passou tirando uma fininha da porra! Mas que você acha desse lance das adagas?
Jesus dá uma cocadinha na cabeça, com cuidado pra não despentear os longos cabelos:
- Armas são sempre ruins, mas como vão ficar as execuções de criminosos sem adagas? - Eu explico entusiasmado:
- Pensando nisso que escrevi uma carta a Pilatos, sugerindo uma pena muito maneira: O criminoso será pregado numa cruz de madeira e açoitado por vários dias. Depois a gente enche ele de porrada e o sangue do infeliz corre pra alegria da galera. Vai ser o bicho, uma festa! Tinha imaginado a forca, mas ia ser muito rápido e sem graça...
O Filho de Deus passa a mão na garganta e engole seco:
- Melhor manter as adagas...

O Diabo estava fazendo uma campanha pesada a favor da proibição das adagas. Ele montou um palanque cheio de faixas no centro da Galileia e fala mansinho ao povo que ouve desconfiado:
- Gente, milhares de pessoas inocentes são mortas com acidentes envolvendo adagas. Ontem mesmo eu estava limpando a minha adaga, um homem que passava tropeçou e caiu com a barriga bem na ponta da lamina...tadinho! Morreu.
Um sujeito que escuta a estória grita:
- Mentiroso! Esse homem que você fala, morreu com 18 adagadas! - O povo se espanta:
- OHHH!
O Diabo tenta justificar fazendo carinha de vitima:
- Gente, gente, olhem pra mim, não foi assim não. É que ele tropeçou varias vezes...caiu, tropeçou, levantou, tropicou de novo, caiu, levantou...mas só foram 16 vezes, não esse monte, imagina, 18 adagadas(!), que esse caluniador esta dizendo...
Judas no meio do povo, tenta apoiar o Diabo que é seu amante secreto:
- É verdade! Armas são perigosas! Digam não a adagas, facas e a tridentes também! - Ele olha sorrindo pra o Diabo e percebe que disse algo que não deveria. O Diabo tem fogo nos olhos:
- O tridente não, PORRA!
Os ouvintes se manifestam:
- Tridente NÃO! Tridente NÃO! - Judas incita mais ainda:
- Chega de violência: Tridente NÃO! - O Tinhoso tenta acertar a confusão bradando:
- ADAGA NÃO, TRIDENTE SIM! Tridente sim...ah, vão se fuder! Gente burra do caralho... - Fala irritado saindo com o tridente no ombro pelos fundos do palanque.

sexta-feira, junho 30, 2006

Contem material baseado em fatos reais.


O sujeito me adiciona no MSN. Ele atende por Homero e me chama:
- É você que escreve no site do Abobra?
Como são perfeitamente normais e comuns essas perguntas, eu respondo com sinceridade e compreensão:
- Que site? Que eu saiba aquilo ainda é uma merda de um blog.
- Sim, no blog.
Novamente, minha delicadeza:
- Olha, funciona assim: Quando você lê "Publicado por Velho" muito provavelmente foi escrito por mim.
- Sei (pausa) você se acha, né?
Porra, o cara se deu ao trabalho de me adicionar no MSN pra me provocar? pensei. E respondi dando area:
- Olha, to cheio de trampo aqui. Era só isso que você queria falar?
- Calma, não quero te incomodar, muito pelo contrario...

O resumo é que esse tal de Homero pediu alguns textos meus, pois pretendia publicar algo em papel. Passei-lhe alguns links , esqueci a conversa e o deletei da lista . Passado mais ou menos um mês, novo contato de Homero:
- Velho, você é de Santos mesmo?
- Bom dia.
- Perdão, bom dia, mas você é de Santos mesmo?
- Sou.
- Preciso falar pessoalmente com você.
- Humm. Pra que?
- Os textos foram bem aceitos. Temos que fazer algumas edições e acertar os detalhes.
O medo se fez em calor nas minhas orelhas. O que “sou” na Net é antagônico a minha realidade. E na cautela, fui respondendo:
- Olha bicho, esses lances que escrevo são como um hobby, não leva isso a serio não.
- Deixa explicar, eu trabalho com editoras, apresentei alguns textos e o pessoal se interessou.
- Putz cara, quantos anos esse "pessoal" tem 16 ,17? Como alguém que faz algo concreto pode ter essa idade? Esquece.
- Velho, você esta se depreciando e não é bem por ai.
O ego. Um argentino que vive dentro de nos, como já li por ai. O terrível e torpe ego que ocupa caixas devastadoras. Acabei anotando o telefone de Homero e fiquei de marcar um encontro com o "pessoal" que se "interessou".

A primeira roubada que entrei por causa da NET , foi a festa do copo vermelho. Saber se eu estava entrando na segunda, só pagando e indo de novo ate Sao Paulo pra ver. E eu fui.

Continua.

sexta-feira, junho 23, 2006

Os Super.


O caso Bastos.

Bastos caminha sem destino pelas escuras ruas do centro de Jacupiranga. Uma fina garoa cai em seu rosto, mas ele não se importa com isso. Cansado e faminto, senta-se na guia da calçada coberta por uma marquise e espera a chuva terminar. Um Opala cinza grita os pneus na esquina e dispara em sua direção, desgovernado em alta velocidade. Bastos fecha os olhos , encolhe-se prevendo a batida quando sente o vento do carro passando a poucos centímetros de seu rosto. Quando reabre os olhos, vê o rubror das lanternas do carro sumir na noite.
- Foi por pouco.
A chuva cessa e o andarilho segue sem rumo.
- Se eu tivesse um poder qualquer como o Super Homem, dava uma porrada no carro e ele se fudia...- Diz Bastos enquanto observa um ancião atravessando a rua ao seu encontro:
- Ei maloquêro, eu sou Magneto e vim atender seu pedido. Você a partir de agora tem um poder que ninguém na terra jamais imaginou. E divido esse poder com você!
- Hum. Que poder ?
- Você não nota algo de diferente em mim? - Fala Magneto fazendo pose de Cristo Redentor . Bastos coça o queixo e mede o ancião de ponta a cabeça:
- Tô vendo nada demais no senhor não.
- Preste atenção. Olha de novo!
- Hum, to olhando...mas não vejo nada. Fala logo, o que é??
- Asno! Não notou que eu não tenho sombra?
Bastos confirma notando que também não aparecem sombras de seu corpo:
- Verdade! Eu não tenho sombra! Estou invisível??
Magneto sorri satisfeito e explica:
- Invisivel?? Claro que não! Todos podem ver você e sua sombra, mas você não a vê! Mas use esse poder para o bem. Ate qualquer hora! - E some.
- Ah tá...
Bastos passou anos e anos tentando achar uma utilidade para seu poder e chegou a conclusão que isso não servia pra nada. Ele fundou uma ONG chamada "Associação dos que Tem Poderes que Não Servem pra Porra Nenhuma" e lá estão reunidas várias pessoas especiais, como João que não sente frio na língua e nosso próximo caso a ser estudado, Paulo o homem que não vê raios ultra violetas.

Exemplos da "Almost Generation", que assim como eu que escreve, tem algo a mais que não serve pra nada.