segunda-feira, junho 30, 2008



sábado, maio 10, 2008

Terminal.



Sou o investigador da Policia Civil, meu nome é Jose Pedro Bontempo Filho.
Depois de tanto tempo trabalhando nessa merda, aprendi que aqui todos corrompem ou são corrompidos. Eu faço parte dos dois grupos.
Delegacia é lugar de crime, de morte, roubo, tragédia, ninguém chega ali contente, e quando chega, pode ter certeza que aquela é a cara da vingança. Trazem os problemas, tua função é resolver. Alem de tudo isso, de toda essa profunda tristeza, você ainda tem que cuidar de si mesmo, tentar esquecer o que viu ou fez durante a escala e deixar pelo menos metade do sangue que traz no estomago dentro de um copo de conhaque ou aguardente. A outra metade não tem jeito, fica lá remoendo.
Quando tinha uns 6 meses "de casa", matei o primeiro. Na hora, o delegado ali me olhando de braços cruzados, zombando e duvidando calado. "Queima esse safado, Bontempo!" gritava um dos investigadores na minha orelha. Era um rapazinho de pouco mais de 20 anos, ajoelhado nu e acusado de matar um PM. Disparei quando ainda resolvia se devia fazer aquilo ou não, mas disparei no peito do coitado. "Porra Bontempo, na cabeça!" disse o delegado sacando a pistola e terminando a execução com um buraco na testa do rapaz.
Eu enjoei na hora, apoiei uma mão no capo da viatura e vomitei enquanto os homens acendiam cigarros e sorriam como se tivessem de acabado de fazer sexo. Quando fui limpar a boca, me vi ainda segurando a arma e voltei a vomitar.
"Vamos embora, Bontempo, isso é normal." falou um dos homens.
Quando disse uns seis meses, tento amenizar esse maldito dia, mas sei exatamente quando foi, dia, mês e ano. Matar uma pessoa é entregar consciência pro diabo.

quarta-feira, abril 09, 2008

Blog.

Basicamente é pra se ler, Ok?

Vou tentar.

quarta-feira, março 26, 2008

ON LINE.

quinta-feira, março 20, 2008

Pra minha Mulher.

segunda-feira, março 03, 2008

Um Domingo ao redor do mundo.

Acordei cedo e liguei a meu sherpa, explicando-lhe que hoje seria um otimo dia pra uma volta ao mundo. Sem pestanejar e duros, partimos ao porto, onde logo arrumamos lugar num navio de escravos brancos.

Meu Sherpa ja a bordo do Transatlantico "Queen Of Sucata"

Finalmente chagamos em Salvador, de onde captamos uma belissima vista de Nova York. Senti falta das torres gemeas e chorei por alguns segundos, quando meu Sherpa me chamou de viadinho. Ao fundo do lado de NYC, a famosa travessia de balsa que leva os judeus da ilha de Mahatan pra o Itapema, no Guaruja. Sem tempo, embarcamos em outra catraia até a China.


Em Salvador, muita emocao na vista de NYC sem o WTC.

Uma imagem inesquecivel nas muralhas da China: O canal do Panama que liga a Suissa ao Canada.

Bill Gates no seu Jet sky, o "IE 7.0" navegando na net e deixando um rastro de bugs.


Com tempo curto, passamos pelo Hawai e descobrimos que esse povo maconheiro ainda usa o Titanic pra ir ate o Niteroi. Na verdade ele faz a volta ao mundo nessa travessia. Ele é muito alto e nao passa por baixo da ponte.

Titanic carregado de Vascainos faz um atalho.

Finalmente quase a volta pra casa. Meu Sherpa antecipou a viagem por motivos tecnicos: "TÔ com fome, Pai!" No Pentagono (USA) , os sinais do ataque de 11/09.


O Pentagono: Todo fudido mas sem pixacoes.

Ja no Brasil , deixamos a charmosa praia de Ipanema e voltamos a Santos.

Por enquanto é só.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Fevereiro de 1967 - Aeroporto Lod, Tel Aviv.


O Douglas DC-3 taxia trepidando e exalando gasolina* pela pista. Um de seus passageiros parece bastante desconfortável com a idéia de voar dentro de uma maquina tão barulhenta e com uma boa par de anos de idade sobre as asas. O interior do aparelho tem colunas de alumínio cravejadas de rebites novos e brilhantes contrastando com o antigo forro de fundo vinho e com pequenos brasões da PanAm espalhados em cruz, carimbados num padrão não casual. O homem apalpa o bolso de seu paletó, conferindo pela milésima vez, portar o pequeno saco de tecido onde há poucas horas atrás foram colocadas algumas pequenas pedras e um punhado de areia da Terra Santa. Um aviso sobre a porta da cabine dos pilotos informa que os cintos devem ser travados. Uma solícita aeromoça, percorre os cerca de 20 lugares ocupados da aeronave quando nota a apreensão do passageiro e confere com atenção o fecho do cinto, como se o ato confortasse o breve viajante:
- Não se preocupe senhor, o vôo será tranqüilo. É sua primeira viajem?
Num sorriso fechado, o passageiro balança negativamente a cabeça, enquanto confere o bolso já virando-se para a janela. E o avião decolou.

Essa foi uma fantástica aventura do destemido Homem Silencioso em Israel.

*Thanks Alberto.

terça-feira, dezembro 11, 2007

As aventuras submarinas de um famoso blogueiro.


Em 2001 um famoso blogueiro enojado da mídia e da superexposição, resolveu dar um tempo de internet e fez um retiro espiritual com sua esposa e filhos na Fazenda Recanto, situada na tranqüila cidade de São Tomé das Letras, ali pertinho da casa do caralho. Rodeado e interagindo com elementos naturais, o blogueiro deixou se ser nerd e durante esse período, nem sacar dinheiro de caixa eletrônico na cidade mais próxima ele conseguia:
- ME ENTREGUE CEM REAIS, MAQUINA MALDITA!
- Gregório, você tem que digitar as senhas para fazer o saque...
- NUNCA!
- ...e se você não tomar banho, fica fora da tenda hoje.

Sem banho, Gregório viu-se obrigado a dormir no mato, pois sua mulher era muito mais foda do que ele imaginava. Caminhando pelas matas da região, o intrépido blogueiro alimentava-se de insetos e cogumelos quando escorregou numa profunda falha geográfica e mergulhou num salto carpado dentro de um oceano submerso que havia dentro do mundo. Lá, nadou algumas vinte mil léguas submarinas e se deparou com terríveis enguias gigantes que dominavam um reino de macacos marinhos. Nosso herói prendeu a respiração e numa terrível batalha matou todas as enguias, libertando os oprimidos macacos dessa praga maligna.
Depois desse acontecido, Gregório aprovou sua estadia e esse intenso contato com a natureza na Fazenda Recanto, fazendo desses retiros, um habito anual.

- Mãe, porque sempre que o pai come cogumelo, ele pula no tanque de minhocas e fica nadando lá dentro? Isso é nojento!
- Junior, vai pra lá brincar com teus irmãos...

quinta-feira, dezembro 06, 2007

A vida sem blogs.

Por se tratar de uma droga como outra qualquer, blog vicia. E acho que foi la nos idos de 2004 que tive os primeiros contatos com isso, quando vi um amigo de trampo teclando desesperadamente e visivelmente transtornado:
- Que porra de stress é esse, Ronaldo Roberto?
Sem tirar os olhos do monitor, Ronaldo Roberto fala entre os dentes:
- Meu, um filho da puta aqui me xingou, to possesso!
- O cara te xingou na internet? Um estranho?
- Foi. Mas ta fudido, ele nem faz ideia do que vou escrever dele nesse post.
Confuso, tentei entender um pouco mais sobre isso:
- Mas tipo assim, voce esta escrevendo uma resposta porque alguem te provocou, está se dando ao trabalho de fazer isso?
Ronaldo Roberto para de teclar, afasta a cadeira de rodinhas da mesa, ajeita os oculos e me olha meio surtado:
- Cara, voce sabe quem EU sou na net?? Voce conhece ou já ouviu falar de Red Horse?? Pois saiba que esta diante dele! - Finalizou com olhar arrogante .
- Nunca ouvi falar disso não...que porra é essa de cavalo vermelho??
- É REDHORSE, idiota! Sou um cara muito foda na net, meu blog é visitado por mais de CEM pessoas por dia!
- Ah tá...e agora porque algum desses cem idiotas te xingou, voce está aí todo nervosinho...bacaca, nerd do caralho.

Blog não mata, só faz voce deixar de viver.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Preciso escrever algo sobre isso.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Chamava-se "Táxi Marítimo", uma catraia aberta pintada em azul céu, com detalhes verdes no calado baixo que transportavam algo entre 10 e 15 passageiros e fazia a travessia no canal do porto, entre Santos e Guarujá.
Já havia as primeiras lanchas movidas a motores a explosão, motores herdados de veículos acidentados ou sucatados e adaptados nos barcos, mas eu estava a bordo de bote movido ainda por dois remadores e orientado por um timoneiro, geralmente o proprietário da nau, que agora meio como um malabarista, caminha na estreita borda do barco ate a proa , de onde lança uma corda ao amarrador do ancoradouro da bacia do Macuco e atraca junto as escadaria .



Subo as escadas em terra, dei uma boa olhada de onde estava. O Moinho Paulista destacava-se logo a minha frente, numa construção imponente e moderna. Calculei estar na década de 40, mas não soube precisar em que ano. O lugar era movimentado, caminhões, carroças, carros, bondes elétricos e também um bom numero de bicicletas, todos chegando ou partindo . Havia poeira de areia lambendo o rosto e lama em guias para sujar os sapatos, era preciso atenção e um lenço no bolso.
Notei que desembarcavam muitos trabalhadores de Vicente de Carvalho pelos "Táxis Marítimos". Foi curioso ver os estivadores e obreiros conferirem o horário em um grande relógio branco no alto de um poste de ferro fundido, situado na lateral de uma cobertura de embarque de bondes. Era um ato corriqueiro: eles olhavam o horário e ajustavam seus próprios relógios de bolso, seguindo o destino planejado.


Numa perspectiva geral, muitos terrenos vazios, alguns sem muros ou nivelamento contrastavam com esporádicos bangalôs caiados em cores leves e telhados novos de um vermelho quase laranja zarcão. Eram loteamentos recentes e com apelo popular que aparentemente estava dando certo, vista as crianças e cães que circulavam por ruas de quase nenhum movimento e sem calçamento em direção ao Atlântico. O verde também era farto, arvoredos típicos de manguezais ainda sobrevivam apesar do aterramento da área.
Peguei um bonde que seguiu para Anna Costa e logo desci num trecho de bastante comercio da avenida.





Fotos

http://www.novomilenio.inf.br/santos/lendasnm.htm

http://trolebus.nafoto.net/

http://wrueda.fotoblog.uol.com.br/



sábado, novembro 17, 2007

Abandonei celular por opção. O ultimo quebrou, fiquei um mês sem e notei que não fez a mínima falta. Ontem um amigo comprou um novo modelo e todo feliz da vida, me mostrou os toques:

O primeiro toque é de um esganiçado em voz acelerada (Deus, quem inventou isso?) gritando "ATENDE ESSA MERDA, ATENDE O CELULAR..."

O segundo era aquela risadinha do Pica Pau. Legal né?

Na seqüência, era o Chapolim falando "Não contava com minha astúcia".

Depois, clássicos dos clássicos do celular de favelado, o tema do Missão Impossível.

Desfilaram musiquinhas de Novelas, Jornais, Hits Nacionais e Internacionais.

Culminou-se na Dança (?) do Siri, com o extra de um pequeno vídeo daquele par de bestas quadradas andando de lado e fazendo cara de engraçado.
Olhei para a cara do portador do celular, agora já o considerando apenas "um conhecido" e lhe disse:

- Meu, tu não tem vergonha dessa porra não?
- Tira foto também...
- Cara, vai te foder.

quarta-feira, novembro 14, 2007

D.C. 25

Estamos eu e Jesus lendo jornal na praça de Jerusalém:
- Me passa o caderno de esportes aí, Velho.
Subitamente eu amasso e jogo o jornal no chão ao ler uma manchete:
- Porra! Esse safado do Pilatos tá querendo um terceiro mandato!!
Jesus me olha assombrado e diz:
- Mas que filho duma puta (!), como pode uma cousa dessas?!!
Calmamente, eu o alerto:
- Jê, você falou um palavrão.
- Falei? Nem notei, foi espontâneo...
- Mas não pode, vou avisar Deus sobre isso.
- Tráira.

Subo no monte das oliveiras e chamo por Deus olhando ao céu:
- Deeeeus! Deeeeeeeeus...Tai?? DEEEEEEEUUUUUUSSS….
O filho do homem me observa muito puto e impaciente:
- Não adianta, Velho, só se vai ao Pai através de mim, desista.
As nuvens se abrem e Deus surge com suas roupas brancas e um ramalhete de lírios nas mãos. Está mal humorado:
- Quem é o idiota que ousa Me chamar? Que seja serio, Estou farto de reclamações de pestes, terremotos, dilúvios e essas cousinhas banais...
Prevendo problemas, me escondo correndo atrás de Jê , apoiando as mãos em seus ombros:
- Fudeu! Fala com o Homem aí que o negocio tá brabo...
Jesus me olha com desprezo:
- Eu?? Nem a pau, se vira com o Cara agora...e tire essas patas de mim!
Deus nota Jesus e sorri satisfeito com os braços abertos:
- Jesus é você?! Que bom Te ver , filho! Chega mais e dá um abraço no Papai !
Empurro Jesus que vai contrariado:
- Vai lá , porra!
- Não vai sair barato, Velho!
Pai e Filho se abraçam. Deus passa a mão nos longos cabelos de Jesus e o afaga:
- Tudo bom, Meu garoto?
- Tudo Pai.
- Que olheira é essa? Andas abusando da mirra outra vez?
Tento me aproximar e só foi preciso um olhar de Deus em minha direção para eu mudar de idéia. Ouço ambos de longe mesmo. Deus continua a conversa:
- E sua Mãe, Jesus, vai bem? Estou com saudades da Maria, qualquer hora Passo lá de novo. Quando Jose for viajar, avise seu Paizão aqui. - Fala apontando a si mesmo. Jê não gostou:
- Pô Pai, que papo é esse??
- Nada não, é que Meu Espírito Santo anda subindo pelas paredes...

quinta-feira, novembro 08, 2007

As aventuras do Homem Silencioso.


É fim de maio em Paris e apesar do sol leve, o vento da tarde afugenta os clientes das pequenas mesas externas nos tradicionais cafés da cidade, clientes que agora procuram os balcões e disputadas mesas do interior do estabelecimento para beber café a pretexto de uma conversa fiada. Porem, um habitual freguês ainda prefere ler seu jornal e sorver sua bebida numa mesa do lado de fora.
O Homem Silencioso ajeita o colarinho do sobretudo , protegendo o pescoço do vento e levanta o dedo para o céu, no já conhecido gesto de pedir mais um café. A garçonete usa um leve vestido pouco acima dos joelhos e treme-se ao servir a xícara:
- O senhor não prefere um lugar lá dentro?
Sorrindo com os lábios fechados, o Homem Silencioso paga o café com moedas exatas e inclinado a cabeça para frente em agradecimento, volta-se ao jornal enquanto assopra o café fumegante.

Esta foi uma fantástica aventura do Homem Silencioso em Paris.

quinta-feira, novembro 01, 2007

VOCATVS ATQVE NON VOCATUS DEVS ADERIT

Tive um Atari , um mullet enorme, tambem um TRX, um MSX, um agasalho de tres listas, uma camisa da Bolt e uma Caloi Cross.

quinta-feira, agosto 23, 2007

False Start.



Jê muito doido na festa de fim de ano da firma.


Olha como anda foda. Tenho carinho especial quando escrevo o Jê, só que ultimamente simplesmente nao consigo terminar os textos. Um exemplo com cenas de bastidores.

Jesus me vê passando puxando uma pequena carroça cheia de tonéis de vinho.
- Onde vais Velho?
- Porra Jê, foi bom te trombar. Dá uma força aqui que esse peso tá foda...
O filho de deus apóia um dos braços da carroça e me ajuda:
- Mas pra que tanto vinho afinal?
- Não soube?! Festa do Didi hoje! Vai rolar a festa do Rabo vermelho!!
- Que Didi?? - Fala Jesus já meio esbaforido.
- O Diabo. É que ele ficou gente fina e agora a gente chama ele de Didi.
Jesus larga imediatamente o apoio da carroça e com o peso ela pende pra trás:
- CARALHO Jê!! Segura que essa porra vai virar!!
A carga despenca e vários tonéis rolam ladeira abaixo pela montanha em direção a Galileia. Estou inconsolável:
- Putaquipariu, tô fudido!! O Didi vai me matar! - Jesus limpa as mãos suadas na própria túnica e justifica:
- Eu carrego você e todo peso do mundo nas costas se for preciso.
- To vendo! E largou a porra da carroça sem me avisar!
- Velho, lhe asseguro que o fardo do Diabo você não vai querer carregar. Vai por mim.

terça-feira, julho 31, 2007

Politicamente emperrado.

Vejam vocês, agora que fui preso, penso que realmente eu andava muito, digamos assim, libertino , mas precisamente libertinoso, a liberdade quase criminosa, aqui de novo agindo dessa forma e criando termos novos na língua de Camões. Foi um surto, me perdoem, não volta a acontecer, nem ao menos no msn, garanto,Worm.
Convencido a ferro e fogo que esse ato é nocivo à sociedade, não posso mais afirmar que tinha um tesão danado nas tetas daquela menina inimiga do Pokemon. Tetas que só japonês sabe desenhar, diga-se de passagem.
Doutrinado, já me arrependi de várias posições culturais, agora pensando que não devo ignorar, como sempre ignorei , os preconceitos primitivos. Lembrar de minha mãe dizendo que "meu irmão judiava" do cachorro me deixou ruborizado.
Entendam-me os negões, esses que estão na letra N de minha agenda, que agora vocês vão ter que revelar seus nomes e que o cordial "Fala criolo!" ou "Dizai preto safado!" não mais fazem parte em nossos encontros. Teu nome é João Carlos Del Rey? Agora você está diferente. Haverá encontros ainda? Quando chamo meu filho de "meu nego", sou um causa de um futuro trauma.
O então mundo de chatices, me fez crer que era eu quem decidia o que fazer, desprezando no sentido de não tornar fato, que o sujeito ali usa o cu pra divertir e chama de amor, isso que achava eu, olhe a ousadia, era só sacanagem que não me dizia respeito. Por favor, não mate as moscas, elas são parte de um ecossistema. E não chame o numero seis de meia, alguem pode se ofender.
Era mesmo um tolo cheio de ideologias esse jovem eu.

- Assim está melhor, senhor? Já posso sair?
- Não entendi nada disso que você escreveu.
- E não foi sempre assim.

terça-feira, julho 17, 2007

Bandido S/A. - Pardal


A bordo do discreto Omega amarelo ("Nóis capota mais num breca" pintado em preto na tampa do porta malas) Madureira e Buceta se dirigem a casa de Pardal, o bandido tecnológico. A alcunha era uma referencia ao personagem de Disney, já que Pardal era um delinqüente letrado que ate ler sabia:
- Buceta Encardida e Madureira! A que devo tão nobre visita? Senta aí que estou terminando uma analise e já atendo vocês! - Diz Parda num avental manchado que quase parecia andar sozinho pela magreza do portador. Curioso, Madureira aproxima-se de uma bancada cheia de sangue, estiletes, parafusos, e uma infinidade de ferramentas:
- Que porra é essa, Pardal? Vai fazer churrasco?
- Não , não, estou analisando um cu aqui. - Fala enquanto mostra um vidro de maionese com um pedaço de carne crua bem compactado no recipiente.
- Isso é um cu? Então ta fudido de "hemorróida". – Fala Buceta segurando o vidro com as pontas dos dedos. Pardal explica:
- O cu ta aqui , ó, vira o fundo do vidro.
Madureira se admira com o que vê. No fundo do pote , o ânus milimetricamente recortado:
- (!) Caraio, e não é que tem um cu aqui mesmo! Olha chefe, parece que ta ate olhando pra gente!
Pardal limpa as mãos com um pedaço de estopa e termina a limpeza nas costas do avental:
- É um pedido de João Cachaça. Ele passou fogo no filho, seis tiros, por que diziam que o rapaz era bicha ...
Madureira faz cara de nojo quando recebe o pote das mãos de Buceta e o coloca na bancada segurando pela tampa de aço e comenta:
- cu de viado... - Pardal continua:
- ...e João quis que eu confirmasse isso no cu do infeliz. Pior que esse morreu sem motivo. O cu esta com todas as pregas.
- Vixe! E agora? - Pergunta Madureira.
- Agora confirmo que era viado pesado, foda-se, já morreu mesmo. Não sou eu que vai contrariar o João Cachaça.
- Isso é verdade. - Endossa Buceta esfregando as mãos, ansioso e olhando ao redor - Mas me diz uma coisa, cadê o resto do sujeito?
- O corpo? Enterraram ontem. - Fala Pardal. Buceta insinua:
- E...tipo assim, tu só tirou o cu? Não teria assim, digamos, arrancado uma orelha, sei la? - Madureira coloca a mão na única orelha que lhe resta, como se a protegendo. Pardal estranha a conversa do bandido:
- Orelha?! Claro que não, pra que orelha? Viado usa o cu, né? - Buceta declina:
- Esquece, é que me deu fome...mas o caso é outro, Pardal: Você já ouviu falar no Homem Arame?
- Sim, um filho da puta que anda aí zuando o movimento.
- Então senta aí e vamos conversar. - Diz Madureira puxando as cadeiras da mesa.


terça-feira, junho 26, 2007

BANDIDO S/A.


Madureira entra de supetão no barraco e joga o jornal sobre o colo de Buceta que leva um susto:
- Tá loco Madureira??!?
- Louco tu vai ficar quando ver o jornal. Olha a manchete! - Diz Madureira de braços cruzados e batendo o pé. Buceta se ajeita na poltrona, alinha o jornal nas mãos e prossegue:
- Hum...humm que que tem?
- Lê aí!
- Porra, é pra ler ou pra ver?
Irritado, Madureira tira o jornal do chefe e fala em tom teatral:
- Aqui ó caralho: Homem Arame chama Buceta de "mulerzinha!"
- O QUE???!?
- Isso mesmo, "mu - ler - zi - nha"!
- Num brinca com isso homem, tá escrito isso aí??
- Com todas as letras...
- Mas Madureira, tu aprendeu a ler?
- Não. O Lamartine que leu pra mim. Um filho da puta esse Homem Arame , hein?
- Um filho da puta morto e sem orelhas! - O bandido saca do bolso um pacote de dinheiro e orienta o escudeiro - Madureira, vai lá e compra o jornal todo, de toda banca, esse miserável não vai me caluniar assim não...ah, trás também uma fonte de celular bi volt que a minha queimou. Enquanto isso penso numa vingança mortal!
- Pode deixar chefe!

terça-feira, junho 05, 2007

Pentágono – 2:18 hs. A.M.


- Temos pouco tempo para a ação...- Avisou o líder pouco antes das grades de acesso ao elevador serem arremessadas pela explosão no topo do prédio. Descem por cabos de aço do fosso, três homens devidamente mascarados e vestidos totalmente de preto.
ZiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiP!
Instalados agora no topo da caixa do elevador, Thompson abre o portal de acesso de serviço e pula dentro do aparato já checando com uma pistola, possíveis seguranças no local.
- O lugar está limpo como informado!
Os feixes de luz das lanternas vão se cruzando pelos corredores do edifício enquanto os três homens efetivam a invasão.
Rrouuuiii!
Doug alerta o líder sobre um ruído estranho enquanto bloqueia a passagem dos parceiros:
- Steve, ouvi um barulho, parado aí!
- Que barulho? Será alguém? O prédio não está vazio? - Questiona Steve com a arma em punho.
Rouuuu!
- Ouvi de novo! - Sussurra Doug. Steve concorda:
- Agora eu ouvi. Não estamos sós. - Thompson fala confuso:
- Não ouvi nada, que ruído vocês ouviram? - Steve explica nervoso:
- Um ronco ou algo parecido. Vamos com cautela, tem algo de estranho....
ROOOONK!
Imediatamente os três homens saltam e apontam suas armas a procura do som. Doug fala bem baixo:
- Ouviu??!?
- Mais ou menos...foi muito alto? - Pergunta Thompson. Steve arrasta-se no chão em direção a ambos:
- Um ruído alto e estranho. Não parece ser humano, temo que tenhamos aqui algo sobrenatural.
Thompson levanta-se com cuidado e avisa os amigos:
- Vou chegar, vou na frente...- O líder o impede:
- Nada disso, vamos nos manter juntos, não sabemos o que é isso...
ROOOOOUUUUNNNNNNKKK!
Steve e Doug olham pra a barriga de Thompson que fala sem graça e soando em bicas:
- Eu falei que queria ir na frente... foi mau galera, cheio de gases, to querendo soltar um peido desde lá de cima...
Furioso , Doug tira o capacete a o joga contra o chão:
- PRA CASA DO CARALHO, CARA!! MAIOR ESQUEMA DE INVASÃO, NOME AMERICANO E TUDO E TU ME DIZ QUE QUER DAR UM PEIDO NO MEIO DA HISTORIA???!?
Steve já retira o colete e afrouxa o zíper do casado:
- Verdade Thompson, podia ter segurado um pouco a onda...
- Num dava - avisa Thompson abanando-se - foi a feijoada. - Doug está indignado:
- Putz, ainda fala de feijoada aqui??!? Olha, não vai dar pra continuar não, vou sair fora.
- Me too. – Avisa Steve carregando suas coisas e seguindo Doug enquanto Thompson se tranca no banheiro.